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Ponte aérea Rio / São Paulo custa mais que viajar para Miami



Tarifas cheias de ida e volta ultrapassam R$ 2,3 mil em horários de pico; com R$ 1,6 mil passageiro vai para os EUA .

Carla Falcão e Marina Gazzoni .

A onda de promoções e tarifas baixas das companhias aéreas não chegou para os passageiros que embarcam na ponte aérea Rio/São Paulo e compram os bilhetes com pouca antecedência. Quem decide (ou precisa) viajar de última hora pode se surpreender ao descobrir que os preços praticados no trecho entre as duas cidades chegam a superar até mesmo os valores cobrados em viagens internacionais para Buenos Aires ou Miami.

É o que demonstra levantamento feito pelo iG, que acompanhou os preços das passagens aéreas nas duas últimas sextas-feiras para compras feitas no mesmo dia, com retorno no domingo. Na última sexta-feira, quem buscava passagens de última hora para o Rio de Janeiro por volta das 16h encontrava preços que chegavam perto de R$ 2.400, para ida e volta. Ainda que fossem escolhidos os piores horários, o custo da viagem não saía por menos de R$ 1 mil.

Mesmo o argumento de que as passagens são inevitavelmente mais caras se compradas na última hora, em horários de pico como sexta-feira, perde a força quando o valor da ponte aérea é comparado com outros trechos mais distantes. Se em vez de ir para o Rio, o passageiro optasse por passar um final de semana em Bueno Aires, seria possível comprar, na própria sexta-feira, passagens de ida e volta por R$ 1.226.

Não foi um caso isolado. Na semana anterior, no mesmo horário, cada trecho de ida comprado de última hora custava entre R$ 600 a R$ 1142. A volta no domingo oscilava entre $ 379 e os mesmos R$ 1.142 da ida. Comprar uma passagem de última hora de São Paulo para o Rio é mais caro do que passar uma semana em Miami, se o passageiro comprar a passagem com um mês de antecedência. É possível comprar passagens para o fim de setembro por cerca de R$ 1.700 ida e volta, segundo pesquisa de preços feita pelo iG.

O valor da ponte aérea Rio/SP também é mais caro do que trechos similares em países da Europa e nos Estados Unidos. Para se ter uma ideia, quem viaja de Madri a Barcelona – em voo um pouco mais longo, com 1h10 de duração - encontra passagens por US$ 109 (R$ 174,40 o trecho). Já quem vai de Frankfurt a Berlim faz a viagem por US$ 158 (R$ 252). E, de Nova York para Washington, o passageiro voa por US$ 118 (R$ 188).

Voo mais caro

As passagens aéreas atingiram os valores mais baixos da história neste ano, mas a ponte aérea aparentemente ficou de fora. O preço para o trecho Rio/São Paulo é bem acima do valor médio cobrado pelas companhias para voar cada quilômetro (indicador conhecido como yield, no mercado de aviação).

A TAM cobrou de cada passageiro em média R$ 0,178 por cada quilômetro voado nos voos domésticos do segundo trimestre. O yield médio da Gol, que inclui trechos nacionais e internacionais, foi de R$ 0,182. Assim, o voo Rio/São Paulo deveria custar em torno de R$ 65, se seguisse a média de preços das duas companhias aéreas. As demais empresas brasileiras têm capital fechado e não divulgam detalhes do resultado financeiro.

Mas o que leva as empresas aéreas a cobrar tão caro por um trecho de pouco mais de 360 km, que é percorrido em apenas 45 minutos de voo? Para o especialista em aviação e professor da UFRJ Respicio do Espírito Santo, o tempo de antecedência, de permanência e os demanda pelos destinos são os fatores considerados na composição do preço das passagens. “Se a empresa identificar que necessidade de um passageiro viajar é maior, ela vai cobrar mais”, diz o especialista.

Todas as companhias têm softwares que definem os preços das passagens. Se o passageiro ficar pouco tempo em um destino ou comprar de última hora, o sistema interpreta que há um potencial para cobrar mais, diz o professor da UFRJ.

As empresas aéreas têm adotado estratégias para atingir o passageiro da classe C e o viajante a lazer. Elas entendem que esses clientes são mais sensíveis a preços, ou seja, só viajam se a passagem for barata. E, para eles, oferecem preços baixos, mas em horários menos competitivos. Para os demais, o preço é maior. “O que direciona o preço é a demanda. A companhia trabalha com o conceito de “revenue management” (gestão de receitas), que nos permite encontrar a melhor relação taxa de ocupação/preço”, diz a TAM.

A Gol afirma que há preços promocionais até mesmo na ponte aérea, mas, como a rota é concorrida, é difícil encontrar essas “pechinchas” de última hora. “Os voos ‘de última hora’, em horários competitivos, são muito demandados e, consequentemente, a possibilidade de se encontrar tarifas baixas é menor”, diz a companhia.

Para viajar pagando pouco, a sugestão das próprias empresas aéreas é que os passageiros comprem com antecedência e permaneçam mais tempo na cidade. A Gol diz que é possível obter descontos de até 50% se o passageiro comprar com sete dias de antecedência para um período de 10 dias. A TAM sugere compras com três meses de antecedência e voos no meio do dia (entre 10h e 16h), preferencialmente às terças, quartas e sábados. As empresas dizem que, para pagar menos, os passageiros devem evitar período de alta temporada e os feriados.

Planejar nem sempre é possível

Infelizmente, antecipar a compra não é viável para muitos passageiros, sobretudo para os que viajam a trabalho ou têm compromissos. Um deles é o economista Alexandre Fischer, diretor da consultoria GRC Visão, que faz pelo menos seis viagens por mês na Ponte Aérea a trabalho. Com horários rígidos a cumprir, ele dificilmente consegue comprar os tíquetes com antecedência e, muitas vezes, precisa trocar horários em cima da hora. Não por acaso, o economista avalia que as viagens para São Paulo oneram bastante o orçamento de sua empresa e também o de grandes empresas para as quais presta consultoria.

“Na semana passada, gastei mais de R$ 1,6 mil para ir a São Paulo participar de uma reunião. E, há 20 dias, paguei uma taxa de remarcação de R$ 760 para mudar o horário de um vôo que havia comprado por R$ 400. Esse é um custo muito elevado para uma viagem tão curta”, afirma Fischer, que durante a entrevista recebeu um e-mail com o anúncio de um voo de ida e volta para Berlim por US$ 890 (R$ 1.424). “É complicado gastar mais para ir a São Paulo do que em uma viagem para a Europa”.

O diretor financeiro de uma incorporadora com escritórios no Rio e em São Paulo diz que estabeleceu uma política com o objetivo de reduzir as despesas com os deslocamentos entre as duas cidades. “Temos um limite de R$ 600 por viagem. Para atingir esse valor, criamos duas regras: comprar com antecedência e evitar os horários mais procurados, como início da manhã e final do dia”, afirma o executivo, que prefere não se identificar.

Para seguir a política da empresa e não perder compromissos no início do dia, os executivos muitas vezes precisam viajar na véspera de suas reuniões, o que implica em uma hospedagem que, a princípio, não seria necessária. “Mesmo pagando uma diária de hotel, sai mais barato escolher trechos menos procurados. Não tenho dúvidas de que é um transtorno na vida dos profissionais, que perdem horas preciosas em uma viagem tão simples. Mas a verdade é que a maioria das empresas não pode se dar ao luxo de gastar enormes quantidades de dinheiro com passagens de avião”, diz.

Fonte:










The Manhattan Reporter

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